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terça-feira, 27 de outubro de 2015

No espelho, é uma mulher preta ou um blackface?


quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Reflexões inicias sobre a casa grande e os novos hospedes:


sábado, 21 de março de 2015

Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Dia da Visibilidade Lésbica


quarta-feira, 30 de julho de 2014

Eu, a janela e o bonde





Há alguns anos atrás, durante a minha adolescência, a internet contribuiu muito no meu processo de aprendizado. As comunidades do Orkut acabaram por preencher uma lacuna que a escola e a educação formal não tiveram interesse em ocupar. Eram diversos assuntos abordados que iam desda constatação óbvia da falta de Negras/Negros no BBB até a falha na representatividade política da/do Negra/ Negro. Mas assunto algum rendia mais do que relacionamentos inter-raciais. Era ( quase) um tópico por semana. Cada um rendendo dezenas de postagens. O Orkut, como qualquer outra rede social, também era um ambiente cheio de gente mal-intencionada. Os perfis falsos eram criados com certa facilidade e rapidamente invadiam os grupos, atrapalhavam discussões e causavam constrangimento.

Durante o mesmo período comecei a frequentar espaços físicos do Movimento Negro. Durante o grupo de estudos passava a maior parte do tempo calada. Ficava intimidada com o nível de conhecimento dos companheiros e sempre achei prudente falar pouco quando se tem muita gente em volta. Apesar do Facebook apresentar-se como ferramenta social sucessora do Orkut, acredito que as duas carregam conceitos bem distintos de interação. O Orkut foi criado com a intenção de manter contato com amigos/parentes que estavam distantes e as comunidades serviam mais como um fórum para trocas de informações e, com sorte, fazer algumas amizades. Mais do que recuperar vínculos com pessoas que moram em lugares distantes, o Facebook é uma ferramenta usada para projetar um ideal da pessoa. E é óbvio que a busca excessiva por um certo tipo de exposição também é introjetada nos espaços de militância. Eu acho que esse é um assunto que merece bem mais atenção do que pretendo dar nesse texto, mas precisava ser citado para contextualizar o momento presente e a maneira atual de lidar com o outro na internet. 

Para entender os desdobramentos da padronização comportamental e como ela interfere na dinâmica do negro em espaços de militância é preciso entender a/o Negra/Negro e a construção de sua emocionalidade. Em seu estudo sobre a classe média negra em ascensão, Neusa Santos Souza mostra que por mais que a/o Negra/Negro, de maneira forçada, mimetize o comportamento do branco, com o intuito de conquistar o status de branquitude, o faz em vão. Entender que existe uma classe média negra afetada por essa emocionalidade distorcida não é, obviamente, negar Negritude ou entender que essa classe é a classe média com representatividade política e midiática. Entender isso é estar ciente que o sistema é articulado para legitimar a exclusão sistemática do negro usando do artifício da exceção. 


Não é conflitante entender que, numa sociedade racista, exista uma parcela da população preterida racialmente que detêm certo poderio financeiro. Somente há conflito quando existe um concepção superficial de Negritude. Quem tem vivência no Movimento Negro( especialmente em espaços físicos), sabe que existem divergências sobre certas pautas e urgências e que essas não anulam em hipótese alguma( como poderiam?) a identidade da/ do Negra/Negro e seu processo estrutural de existência. 


Há, no entanto, a necessidade de saber que durante o processo de articulação política dos movimentos sociais que visam reivindicar o espaço político da/do Negra/Negro, algumas demandas são preteridas e é preciso compreender quais fatores organizam essas escolhas. Autocrítica na construção de Movimentos Negros é fundamental para a desarticulação de uma sociedade racista. Durante o processo de construção de espaços próprios para discutir a condição da/do Negra/Negro, é essencial não ignorar a parcela da população negra mais afetada. A parcela que, por motivos que bem conhecemos, é repelida de maneira extremamente violenta desses espaços de construção. Muitas vezes, inclusive, por nós mesmos.


Nathali Ignez
23 anos, Carioca e se tudo der certo, futura ex-antropóloga

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Hoje é dia de feminismo preto, e quem se importa?



Há dois anos escrevi um texto para o blogueiras feministas sobre o dia das mulheres negras, latino americanas e caribenhas e nomeei o texto de " 25 de julho, o dia das outras mulheres". Esse texto foi escrito meio que as pressas, e quando me foi dado o tema, acreditei que deveria logo falar sobre racismo porque era o que mais me incomodava naquele momento.  Pouco tempo depois de escrever esse texto eu me afastei completamente das atividades tanto feministas quanto do movimento negro e fiquei só de olho no desenrolar das coisas. Hoje, dois anos depois e recém de volta a militância ativa, percebo um outro cenário. Hoje o feminismo negro esta melhor organizado, existe alguma representatividade e existem muitos textos feministas por um viés negro sendo upados todos os dias na internet. Há muitas coletivas que entenderam que é preciso abrir espaço para as pretas e esta rolando um debate bem bacana. 

Em dois anos percebo muitos avanços, acho que o principal avanço é o surgimento e crescimento do blogueiras negras, que publica textos com frequência e textos que dialogam bem com a maioria das pretas, acalentando muitos corações que estavam abandonados sem referencia. Eu apoio e acho muito bom que mulheres se organizem e escrevam, nesse ponto todo avanço é positivo. Mas além de avanços positivos, houveram avanços negativos também.  

O racismo continua presente em todos os espaços e agora com novas roupagens. As feministas brancas perceberam que discutir racismo é importante para a pratica feminista, mas também descobriram que levantar o assunto de forma desonesta desvia o foco de assuntos importantes, e divide mulheres. Redescobriram um truque racista e machista famoso mas que estava esquecido: Culpabilizar mulheres e incumbir as mulheres pretas a missão de salvar o mundo. Caso a gente se recuse, seremos lembradas de tudo o que passamos com o racismo e toda a dor que a sociedade nos causa por sermos pretas. dessa forma suja, estão colonizando os espaços criados e mantidos por pretas. Racismo velho, antigo e que infelizmente seduz por causa da velha ideia de aceitação, quase um slogan " Olha só,  são pretas mas nos aceitaram". Infelizmente o assunto "mulheres negras" e racismo ainda é usado como bucha de canhão para dividir mulheres. Infelizmente, cada vez mais cresce entre feministas o fetiche sobre negritude. A loucura social sobre " o que é ser negra", e o impedimento social de negar a negritude de alguém, como se fosse um crime dizer que uma pessoa não é negra, quando ela não é. Infelizmente nos círculos feministas maiores a negritude esta se tornando uma energia, um sentimento, uma ideia que pode ser apropriada por quase qualquer um, e muitas pretas na ânsia de serem aceitas, corroboram com esse novo projeto de negritude, mesmo sem entende-lo direito porque no minuto seguinte que aplaudem uma pessoa branca se afirmando negra, se entristecem com uma outra pessoa branca usando um turbante como coroa, por exemplo. A impressão que tenho é que se a pessoa branca, que se diz negra for uma pessoa amiga, pode, mas se for uma pessoa desconhecida é desonestidade. Eu estou tentando entender esses mecanismos, mas não esta fácil, eu sou de um mundo onde ser negra é ter a pele escura ( em vários tons), e outras características físicas que dizem que você não é branco, características que isoladas não representam muito, características que conversam com afrodescendência, mas aí o papo é outro.

Enfim, em dois anos observo muitas mudanças, avanços significativos e retrocessos absurdos, mas eu acredito que os avanços são absurdamente maiores e mais importantes do que os retrocessos porque os avanços alcançam muito mais mulheres e acolhem estas que estavam representativamente abandonadas. Percebo que as mulheres comuns, que não querem likes na internet e nem serem aceitas por grupos virtuais rejeitas essas teorias malucas sobre negritude, podem até ler, podem até eventualmente curtir, mas sabem que na vida real ser preta é ser preta, e não uma ideia fetichista, seja ela antiga ou moderna.  A maior parte dos textos que acompanho nos blogs são de teorias feministas que eu não concordo tanto, mas eu fico muito feliz em ver pretas que antes tinham a vida bem distante do feminismo, compartilhando textos escritos e publicados por mulheres negras. Estas mulheres leem estes textos e se sentem bem com eles, de alguma maneira estes textos tem facilitado a conversa sobre feminismo e tem ajudado muitas mulheres a reconhecerem o machismo e racismo do dia a dia, por isso é bom que continuem a serem escritos e devemos apoiar ou no mínimo não repudiar( sobre os textos que discordamos). Foram textos escritos por pretas que me aproximaram do feminismo, e só assim eu me interessei pelas teorias e fui estudar pra saber onde me encaixo. Fico feliz que muitas outras pretas estejam se aproximando do mesmo jeito e que de alguma maneira eu possa ajudar, mesmo com meus textos ácidos. Hoje, 25 de Julho: Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, um dia de celebrações mas principalmente um dia de reflexão porque apesar dos avanços, ainda somos " as outras mulheres", façam um balanço, visitem as páginas feministas e observem: Quem esta falando sobre este dia? Qual a reflexão feita nestas páginas? porque dizer que nós somos lindas não precisa, nós já sabemos. 


Pretas sim, feministas também, vamos juntas em frente na luta antirracista!








domingo, 25 de maio de 2014

Cor da Pele, qual a sua?




Meia cor da pele, que pele?



Desde crianças nós ouvimos falar em coisas "cor da pele", eu sempre achei bem engraçado porque pessoas pretas, de pele retinta colocavam meia cor da pele porque alguém dizia que a tal meia é perfeita pra combinar com alguma roupa, a promessa era de que a meia cor da pele ficaria transparente porque teria a mesma cor da pele da pessoa, mas... de qual pele eles falavam?
Certamente não é a pele preta. Nunca falavam bem da nossa pele, nada foi feito pra nossa pele, nós sempre fomos "as outras", como se o normal fosse ser branco e qualquer coisa que fuja disso precisasse de adaptações pra viver. Estas coisas mínimas como uma inocente meia, coloca dentro de nós um sentimento estranho que demora pra que a gente entenda o que é, e muitas vezes passamos a vida toda sem saber como descrever e nomear esse desconforto que sentimos. As pessoas não negras não conseguem entender o que é ser excluído das mínimas coisas, por isso quase sempre nos dizem que estamos exagerando, fazendo tempestade num copo d'agua. Claro, pra quem esta representado em tudo e tudo e não se sente deslocado nas tarefas mais simples é fácil. Mas pra quem nasce aprendendo que o outro é bonito e o normal é ser o outro , por mais que se ame, precisa de reeducação pra se livrar do reflexo branco que enxerga no espelho. Todos esses sentimentos entram em nós sem que a gente dê permissão, a gente nem percebe porque é tudo bem silencioso. Nós só sentimos a dor.

O truque dos racistas, é transformar o racismo em algo normal, corriqueiro, um sentimento e uma ação que se escondem nos mínimos detalhes, algo que seja capaz de ferir as pessoas de pele negra e que ao mesmo tempo faça com que as pessoas brancas não percebam que é grave. Assim o racismo é naturalizado e normatizado na rotina de todo mundo virando uma daquelas coisas desagradáveis que  incomodam mas não precisam de muita atenção. Tipo chuva na hora de sair de casa sabe? a maioria das pessoas brancas enxergam o racismo do dia a dia assim, é um problema mas nem tanto, e se é simples, pra que reclamar toda hora?  Todos conseguem enxergar racismo em xingar uma pessoa negra de macaco mas muitas tem problemas em aceitar que é racismo usar a frase "cor da pele " para roupas e acessórios que só servem para um tipo de pele. Por isso coloquei abaixo um curta bem bonitinho que trata dos efeitos da normatização da cor branca nas crianças pretas.  O curta tem só 13 minutos, vale a pena!




A meia preta também é cor da pele

Então queridas, quando alguém falar que alguma coisa é cor da pele, não seja tímida e questione: Cor de que pele? Se o tempo todo somos vitimas de racismo, se é nas pequenas coisas que ele se esconde, nós precisamos agir também nas pequenas coisas, não deixe passar em branco. Questionar também é uma forma de se impor, ensinar as crianças que é normal ser preto, é normal ser marrom, branco e tantas outras cores possíveis e assim minimizar os danos do racismo nos futuros adultos. Normatizar as nossas cores faz parte do processo de nos tornarmos negras porque ninguém quer ser negra como o passado, negra como o piche, negra como os escravos e todas as comparações ruins que fazem com nossa cor. Mas todas nós precisamos reconhecer que somos negra como a noite, preta ou marrom como o chocolate, cor preta que descende de africanos que foram reis, rainhas. Preta é a cor de pessoas bonitas e feias, altas e baixas, preto é cor de gente comum que chora e ri, homens e mulheres que tiveram o passado negado, escondido e embranquecido, por isso é motivo de orgulho conhecer nossas belezas, nosso passado e escrever um futuro diferente. Pra nós é um mundo novo que se abre, então não tenha vergonha de se reconhecer como rainha preta, porque você é!


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Obesidade NÃO é o botão do seu jeans não fechar.


terça-feira, 13 de maio de 2014

Falsa Abolição - TARJA PRETA




Tô cansada do embranquecimento do Brasil,

Preconceito, racismo, como nunca se viu.
Foi a barbie que carreguei até chegar na minha adolescência.
Porque não posso andar no estilo da minha raiz?
Na novela sou empregada,
Na Globo sou escrava,
Não me dão oportunidade aqui pra nada.
SOU REVOLUCIONÁRIA NEGRA CONSCIENTE!

Não uso o corpo, eu não me mostro, eu uso a mente!
Sou afrodescendente,
Você tem que me aceitar assim.
Cabelo enraizado é bom pra mim.
Patrão puto que não me contrata na sua empresa,
Porque não tenho olho claro ele não me aceita.
Entro no seu comércio,
Eu gasto, eu consumo,
Ai vc me aceita, isso é ABSURDO!
Dinheiro não tem cor, mas pra trabalhar tem.
Há muitos negros vencedor, eu digo amém.
Negra mudando de cor não é normal,
Pra poder se aceita no mundo do real.
Não troco minha raça por nada.
Essa é minha casa,

Mais uma negra militante mostrando a cara!Branco correndo, tá atrasado,
Preto correndo, tá armado,
E é tiro da polícia pra todos os lados.
GENOCÍDIO, cresce no meu povo negro,
Por que temos que morrer?
Só por que somos pretos?!?
Ah! POLÍCIA RACISTA!
Raça do diabo!
Estão nas ruas correndo pra todos os lados,
Consangüínea nos olhos, em desespero.
Pegam um negro estudante e falam que é suspeito.
20 de novembro não nasceu por acaso,
Zumbi dos Palmares lutou e foi executado.
Teve sua cabeça cortada, salgada, espetada
num poste em Recife, na luta pela causa.
SOU QUILOMBOLA DESCENDENTE DO GUERREIRO ZUMBI!

Não é você sistema opressor que vai me impedir de sorrir.
13 de maio, a Falsa Libertação dos escravos.
A princezinha que nos livros e nos condenou,
O sistema fez ela passar como adoradora,
Não nos deu educação e nem informação.
Lei do sexagenário, aí foi tiração.
Libertar os negros velhos sem nenhuma condição.
Lei do ventre-livre, ou do condenado?
Pequenos negros sem pai, pra todos os lados!
Na escola não aprendi, aprendi na escola da vida.
Estudei, me informando atrás de sabedoria,
Nossa cultura esquecida, apagada, queimada!
Na escola nunca ouvi fala de Dandara!

Somos obrigadas a aprender o que é de fora.
Europa, oriente, essa cultura menor,
Discrimina as religiões afro-brasileiras,
Falando que é do diabo, que é coisa feia.
Mas temos que nos mexer, pra acreditar,
Pra obter conquista é preciso reivindicar!!!

Refrão
Meninas negras não brincam com bonecas pretas,
Se somos todas iguais, por que vc não me aceita??